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Se você descobrisse hoje que alguém nunca vai mudar… você continuaria esperando só porque já esperou demais?

Imagine uma sala de espera. Você está nela há anos.
Já perdeu outras portas, outras histórias, outras versões de si mesmo… porque ficou.

Então alguém se aproxima e diz, com calma:
Ela não vem.

E, ainda assim, você permanece.

Não é mais amor.
É o peso do que já foi investido.
É a recusa em aceitar que o tempo não volta.
É a ilusão de que sair agora tornaria tudo inútil.

Mas há um nome para isso:
pagar com o futuro o que já foi perdido no passado.

E isso custa caro.

Porque enquanto você espera…
a sua vida não espera por você.

Agora, uma observação que talvez você não goste — mas precisa considerar:

O que sustenta esse tipo de posição não é apenas apego ao outro.
É também uma recusa subjetiva de perder.

Freud já apontava isso em “Além do Princípio do Prazer” (1920): há algo no sujeito que insiste na repetição, mesmo quando ela traz sofrimento. Não é erro — é estrutura.
E Lacan radicaliza: o sujeito goza justamente onde sofre.

Ou seja, não é só que ele “não consegue sair”.
Há um gozo em permanecer como aquele que espera.

Isso muda tudo.

Porque então a pergunta deixa de ser:
“Por que eu não consigo ir embora?”

E passa a ser:
“O que em mim precisa que isso continue assim?”

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